Corpo e Mente

#1 Seg 21 Jul 2008 07:54:18

Herpes - um perigo para todos

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O herpes é uma doença muito frequente e que pode afectar qualquer pessoa, independentemente da região do mundo que habita ou da sua classe social. As lesões provocadas pela infecção, na boca e órgãos genitais, podem tornar-se muito incomodativas. Como não há cura o melhor é prevenir-se!

Aos 40 anos, cerca de 90 por cento da população está infectada pelo vírus que provoca esta doença - o herpes simplex. Existem dois tipos de vírus herpes simplex, sendo que o designado por 1 está relacionado com as infecções orais, e o 2 com as infecções genitais.

O primeiro contacto com o vírus chama-se primo-infecção e é, em geral, mais grave do que as infecções posteriores. Quando essa infecção acontece podem desenvolver-se sintomas gerais comuns a outras doenças como, por exemplo, febre alta, superior a 38°C, mal-estar geral, dores musculares generalizadas - mialgias -, perda do apetite, dores de cabeça e gânglios aumentados de tamanho junto aos locais de infecção.

Alguns dias depois, surgem as lesões na pele que são muito características, mas que se localizam em diferentes locais de acordo com o tipo de vírus herpes envolvido na infecção. Inicialmente, surge desconforto e comichão, desenvolvendo-se depois uma zona avermelhada, que se denomina eritema, sobre o qual surgem pequenas borbulhas avermelhadas, as pápulas. No seu interior forma-se um líquido transparente, e as estas lesões chama-se vesículas, que vão rebentar originando crostas.

Após a primo-infecção, o vírus permanece no organismo como que em "hibernação", ou seja, em estado latente. Está sempre pronto a provocar novamente doença, agora chamada recidiva. Estas são geralmente mais limitadas e menos graves do que a primo-infecção, com lesões da pele menos visíveis e sem sintomas gerais.

O número de recidivas e a sua gravidade variam de pessoa para pessoa, e depende da capacidade do organismo para se defender do vírus. Doentes imunodeprimidos, como os doentes com SIDA e os que fazem quimioterapia para tratamento do cancro, são mais susceptíveis ao vírus. Têm maior número de recidivas e manifestações mais graves.

As infecções da boca e da face provocadas pelo vírus herpes simplex são, em regra, devidas ao tipo 1, cujo primeiro contacto ocorre habitualmente nas crianças e adultos jovens.

A primo-infecção manifesta-se neste caso como uma amigdalite, e podem surgir gânglios aumentados de tamanho no pescoço.

Nas recidivas, as lesões que foram descritas como sendo características do herpes localizam-se preferencialmente na face. Habitualmente, os lábios são o local mais atingido - daí o nome de herpes labial -, mas também pode atingir a cara, o nariz, as orelhas e a boca, manifestando-se como aftas. Geralmente, mantêm-se durante uma semana.

Em cerca de 80 por cento dos casos, as infecções genitais são provocadas pelo vírus herpes simplex do tipo 2. A primo-infecção pode ser acompanhada de dor abdominal e gânglios aumentados de tamanho nas virilhas.

Neste caso, as manifestações são mais prolongadas do que no herpes oral, podendo, inclusivamente, persistir até cerca de duas semanas, e as recidivas são mais frequentes nos homens do que nas mulheres. As lesões localizam—se frequentemente no pénis, escroto e região vizinha no homem, e na vagina, colo do útero e pele junto à vagina, na mulher. É, em regra, uma situação que provoca grande ansiedade pelo medo do contágio sexual.

O herpes é geralmente uma doença autolimitada, curando espontaneamente sem qualquer tratamento ao fim de cerca de uma semana, no herpes oral, e mais alguns dias, no herpes genital. Assim sendo, mais importante do que tratar, é prevenir o contágio.

O contágio do herpes ocorre através do contacto com o líquido contido no interior das vesículas quando estas rebentam. É feito directamente, por exemplo através do beijo ou de objectos contaminados, como os copos partilhados com alguém que tem lesões em fase de contágio.

É preciso ter em conta que não existe nenhum medicamento que mate o vírus e o elimine do nosso organismo. Já foram experimentadas várias vacinas, mas sem qualquer eficácia. Assim, é fundamental evitar o contacto com pessoas em fase contagiosa da doença, isto é, quando existem lesões na fase de vesículas, quer orais, quer genitais.

As situações que devem ser sempre tratadas consistem nas formas mais graves da doença, primo-infecção ou recidiva, em doentes imunodeprimidos ou não. O médico opta quase sempre pelos comprimidos, mas, se as lesões orais forem tão graves que impeçam a pessoa de engolir os comprimidos, pode recorrer-se a injecções. Devem, também, tratar-se os doentes com várias recidivas anuais, geralmente mais do que seis por ano, na tentativa de as manter mais espaçadas. Quando se formaram muitas vesículas no herpes oral e no herpes genital - porque ocorre num local com mais bactérias o médico receita habitualmente pomadas de antibiótico para evitar infecções ditas secundárias. Todavia, quando as lesões de herpes estão já infectadas, só o antibiótico em comprimidos se mostra eficaz.

As causas das recaídas

1 - Febre associada a qualquer doença, como por exemplo, às infecções respiratórias - desde a gripe à pneumonia -, às meningites ou a outras doenças mais raras entre nós como, por exemplo, a malária.

2 - Menstruação

3 - Emoções

4 - Stress

5 - Alergias

6 - Exposição à luz solar

7 - Traumatismos que provoquem lesões da pele

8 - Relações sexuais no caso do herpes genital

Medidas para reduzir as recaídas

1 - Sempre que surgir febre, quem já teve herpes deve ter o cuidado de a baixar, recorrendo a métodos de arrefecimento.

2 - Tentar controlar situações de "stress", evitando emoções intensas.

3 - Na primavera e Outono, evite o contacto com o pólen das flores, o pó de casa, pêlos de animais - cão e gato -e penas de aves.

4 - Evitar exposições prolongadas à luz solar, sobretudo sem protectores solares adaptados à sua pele.

5 - Evitar factores de agressão que comprometam a integridade da pele, facilitando a reactivação do vírus. Os medicamentos que combatem os vírus, os antivirais estão disponíveis em comprimidos, pomadas e soluções injectáveis.

Outros alvos do herpes

Cérebro
o cérebro também pode ser afectado pelo herpes, surgindo a encefalite herpética, uma causa importante de mortalidade quando não é atempadamente reconhecida e devidamente tratada.

Olhos
O herpes ocular é uma das principais causas de cegueira nos EUA. Manifesta-se subitamente com dor e visão turva. É indispensável o seu diagnóstico para que possa ser feito o tratamento adequado.

Na gravidez
Finalmente, o herpes neonatal, geralmente provocado pelo vírus do tipo 2; ou por infecção da mãe adquirida durante a gravidez, ou por contágio do bebé ao passar no canal de parto. Pode, todavia, dever-se a infecção pelo vírus do tipo 1, e neste caso o contágio é feito por familiares e amigos com herpes oral, através de contactos mais próximos com a criança - os beijos devem ser evitados. Surgem lesões em toda a pele da criança, e nas formas mais graves pode mesmo surgir encefalite. Quando não é tratado, está associado a 65 por cento de mortalidade, e menos de 10 por cento das crianças infectadas têm um desenvolvimento normal.

 

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