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#1 Seg 2 Mar 2009 04:56:36

O que fazer quando os irmãos não se entendem

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"Pois mãe, tu fazes-lhe todas as vontades, gostas mais dele do que de mim!". Esta é uma frase típica quando há rivalidades entre irmãos. Veja como evitar birras e bulhas e recuperar a paz perdida.

O verão e uma época propícia a desentendimentos entre irmãos. E se, durante o ano, os seus filhos brigam, nas férias, como há mais tempo para as brincadeiras, é normal que se desentendam mais frequentemente. Os especialistas afirmam que, em muitos casos, são os ciúmes os responsáveis. No entanto, a rivalidade pode não ser um aspecto negativo da relação entre irmãos. Em doses certas, pode mesmo ensinar a uma criança muito sobre os outros e sobre si mesma - ainda que deva ser algo a evitar como padrão de comportamento.
Nesse aspecto, a família tem um papel muito importante, já que a rivalidade só cresce e se instala se for permitida. Por isso mesmo, esta é uma batalha que lhe cabe a si ganhar.

Prepare-o para a chegada do irmão
Qualquer criança se sente ameaçada perante a hipótese de vir a ter um irmão. O receio de ser colocada em segundo plano pelos pais ou mesmo de que deixem de gostar dela é responsável por uma enorme carga de sofrimento. O problema agrava-se quando tem de passar a partilhar todos os privilégios. Quando uma criança foi superprotegida enquanto filho único e, de repente, tem de partilhar o carinho, os mimos e as atenções com outro irmão, é normal que se sinta ameaçada e reaja. Este sofrimento pode ser minorado, se existirem, por parte dos pais, alguns cuidados no sentido de preparem a vinda do irmão. Assim sendo, a preparação deve iniciar-se logo a partir do momento em que sabe que está grávida. A notícia de uma gravidez é algo a ser compartilhado por toda a família. Explique ao seu filho que ele vai ter um irmão, o que significa também um companheiro para brincar e uma companhia para toda a vida. A partir daí, intensifique sempre a ideia de que ele é o irmão mais velho e mais responsável, e de que você precisa da sua ajuda preciosa para cuidar do irmão, que é mais pequenino e frágil.

Deixe o seu filho participar
Ao longo da gravidez permita e estimule-o a acariciar a sua barriga, a falar com o bebé, bem como a participar nas compras para o enxoval. Desta forma, ele sentir-se-á importante e não posto de lado.
Chegado o momento do nascimento, é fundamental que o seu filho seja das primeiras pessoas a ver o irmão. Deixá-lo em casa de familiares impede esse momento único. O interesse de uma criança por um bebé é muito grande. Aquele ser pequenino - que, embora parecido com um boneco, é, no entanto, de carne e osso - fascina-a. E é precisamente por isso que lhe querem tocar, vê-lo dormir - chegam até a beliscá-lo enquanto dorme, só para ver o que acontece. Mais tarde, gostam de lhe pegar ao colo - embora, por vezes, de uma forma muito desajeitada - e fazer-lhe festas. Alguns irmãos mais velhos assumem-se imediatamente como defensores dos seus pequeninos e chegam mesmo a dizer "o bebé é meu!", quando alguém se tenta aproximar, ou tenta fazer um carinho ao novo membro da família. Depois, à medida que a idade avança, as relações evoluem e tornam-se companheiros de brincadeiras. O mais velho gosta de mandar, e o mais novo sente-se valorizado quando o irmão o deixa participar nas brincadeiras. Apesar da rivalidade, passará a existir também muito afecto, companheirismo e, sobretudo, solidariedade.

Evite as comparações
De uma maneira geral, os pais não assumem as suas preferências de uma forma clara. Mas podem fazê-lo de uma maneira indirecta e subliminar, o que é muitas vezes sentido pela criança como uma forma de preferência. São comuns frases como: "já viste como o teu irmão se comporta tão bem?" "não tens vergonha de estares a chorar?" e importante dizer que toda a comparação é odiosa e deve ser evitada! A atitude dos pais pode não ser grave em si, mas a sua repetição transmite à criança a sensação de não ser amada o suficiente. Cabe-lhes mostrar que, apesar das diferenças, gostam de uma forma igual de todos eles. Contudo, isto não implica que o modo como a educação é transmitida seja igual para todos eles. Desta forma, trate
cada um da sua maneira, sem sentir qualquer tipo de sentimentos de culpa, porque são seres completamente distintos. Cada criança possui uma personalidade diferente, que tem de ser respeitada e requer um tratamento adaptado ao seu feitio. Mas, em hipótese alguma, estas diferenças de atitude devem transmitir diferenças de afecto. E óbvio que, embora muitas vezes os pais não o admitam, poderá sentir alguma preferência pelas características de personalidade de um deles.
Toda a gente se delicia e encanta com uma criança meiga, educada e bem comportada, enquanto as mais rebeldes nos despertam sentimentos de profundo mal-estar. Perante esta evidência, a principal tarefa é ter habilidade suficiente para saber fazer sobressair o que cada uma delas tem de positivo e tentar ignorar ou minimizar os aspectos negativos.

Não se meta!
As brigas entre os irmãos são já consideradas uma tradição. Só quem não teve irmãos é que não se lembra das tão famosas guerras de almofadas antes de ir para a cama, das embirrações, das brigas e das invejas. Os pais devem ser capazes de encarar esta situação com calma e não podem, nem devem, desiludir-se com os filhos quando eles brigam entre si.
O amor que une os irmãos é um sentimento tão forte que pode perfeitamente contemplar alguns momentos de raiva e de vingança, sem se extinguir. Os irmãos até podem não conseguir viver um sem o outro, mas ainda assim entram em brigas pelos motivos mais fúteis. Quando os filhos se envolvem numa briga, é quase impossível que os pais se mostrem neutros. Sentem que têm que proteger um ou outro e, rapidamente, sem darem conta, transformam a relação num triângulo, acentuando a rivalidade. Para evitar esta situação, a melhor atitude é manter alguma distância e deixar que sejam eles próprios a resolver o assunto. A única coisa que pode fazer é ir ao quarto e lançar um aviso para o ar, do tipo "vocês começaram a briga, agora têm de resolver o assunto. Façam-no porque sei que são capazes", e depois ir embora. Está provado que, na ausência dos pais, as brincadeiras entre irmãos tendem a ser mais pacíficas, o que nos faz acreditar que as discussões são, sobretudo, uma disputa de atenção dos pais.

Quando as crianças não querem um irmão...
Algumas crianças reagem muito mal ao nascimento dos irmãos, tornando-se birrentas e mal-educadas. Outras, ainda, apresentam regressões no desenvolvimento. Esta é a maneira que encontram para - através do comportamento - demonstrarem a sua total incapacidade em lidar com a situação. Voltam a usar chucha, querem beber leite pelo biberão, fazem chichi na cama. Perante esta situação, converse com o seu filho e explique-lhe, carinhosamente, as vantagens de crescer. Peça-lhe ajuda para cuidar do irmão e elogie tudo o que ele fizer correctamente. Deste modo, estará a fortalecer-lhe a auto-estima. É precisa alguma paciência, porque este tipo de comportamento pode levar algum tempo a desaparecer. Contudo, não se preocupe, quando os motivos que estão na base do retrocesso deixarem de o afectar, ele voltará a apresentar o comportamento adequado à sua idade.

A diferença de idades e os conflitos
A diferença de idades entre os irmãos é determinante. Por exemplo, se existir uma diferença de um ano, dificilmente existirão conflitos. Neste caso, a criança tem ainda uma ideia muito pouco clara acerca de si mesma e não entende qualquer perda de exclusividade face aos pais. Se a diferença de idades for muito acentuada, também não existirão problemas porque uma criança com nove anos já adquiriu alguma independência emocional face aos pais, o que lhe permite ter um certo distanciamento. Assim sendo, o problema é maior e mais notório quando há uma diferença de dois a quatro anos. Nesta altura, a criança já adquiriu perfeita consciência de si mesma e consegue perceber que o nascimento de um irmão pressupõe a existência de alguém que a irá fazer perder a exclusividade do afecto dos pais.

O sexo e os irmãos
Quando são ainda muito novos, os irmãos do mesmo sexo entendem-se melhor porque partilham os mesmos interesses. Os rapazes brincam com carrinhos e o mais velho comanda a brincadeira, sem problemas. Por outro lado, um rapaz brincar com uma menina pode ser muito complicado, já que os interesses da menina são completamente diferentes dos seus, o que desde logo pode originar uma briga. Com o passar do tempo, rapazes e raparigas divergem ainda mais, o que, por um lado, enriquece bastante as experiências de cada um e, por outro, permite que os conflitos se atenuem, já que não existem quaisquer pontos comuns que possam ser motivo de discórdia. A existência de irmãos de sexos diferentes favorece muito a convivência e a aceitação do outro sexo. Um rapaz que tem irmãs facilmente se relaciona com raparigas e estabelece laços de amizade, por exemplo.

 
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